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Mandado de Busca e Apreensão: O que a polícia pode (e não pode) levar?

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Mandado de Busca e Apreensão: O que a polícia pode (e não pode) levar?

Acordar às 6 da manhã com a polícia à porta é uma das situações mais invasivas e intimidadoras que alguém pode enfrentar. Se você é alvo de um mandado de busca e apreensão criminal, entenda imediatamente: o objetivo do Estado ali não é apenas “olhar”, mas sim coletar munição para uma futura condenação. No entanto, ao contrário do que parece naquele momento de tensão, o poder da polícia não é ilimitado.

Em casos de alta complexidade — como crimes financeiros, digitais ou tráfico — é comum que as autoridades extrapolem os limites judiciais, levando celulares de terceiros, computadores da empresa não listados ou documentos protegidos por sigilo. É aqui que a atuação de um advogado criminalista se torna estratégica: transformar o excesso da polícia em nulidade processual, inutilizando a prova coletada contra você.

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A Proibição da “Pescaria Probatória” (Fishing Expedition)

O mandado judicial deve ser específico. O juiz deve delimitar o que deve ser buscado e onde. Se a ordem é para apreender documentos fiscais de uma empresa, a polícia não pode revirar a gaveta de roupas íntimas da família ou apreender o tablet de uso exclusivo dos filhos, na esperança de “pescar” algum outro crime fortuito.

Essa prática ilegal, conhecida no Direito como Fishing Expedition, é uma das principais teses que utilizamos para anular operações inteiras. Muitas vezes, um mandado genérico ou baseado apenas em denúncia anônima sem investigação prévia contamina tudo o que for apreendido. Se a entrada foi ilegal, a prova é ilícita e deve ser desentranhada dos autos.

Celulares e Senhas: Sou obrigado a desbloquear?

Esta é a dúvida mais comum e crítica. Durante a busca, é normal que os agentes pressionem psicologicamente para que você forneça a senha do celular ou do computador, alegando que “vai ser pior se não entregar”. Isso não é verdade.

Você está protegido pelo princípio de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Portanto, o investigado pode ficar em silêncio e recusar o fornecimento de senhas biométricas ou numéricas. A polícia pode apreender o aparelho (se constar no mandado), mas o acesso aos dados dependerá de perícia técnica, o que dá tempo hábil para a defesa trabalhar nos recursos cabíveis.

A Polícia bateu à porta: Como agir no momento da busca?

  • Exija ver o Mandado: Verifique o endereço e o nome. Se houver erro, a entrada não pode ocorrer (salvo flagrante delito).
  • Não fale sobre os fatos: A adrenalina fará você querer se explicar. Cale-se. Tudo o que você disser será registrado informalmente pelos agentes.
  • Chame a defesa especializada: A presença do advogado inibe abusos, como o “plantio” de provas ou a coação moral.

Se a situação ocorrer de madrugada ou envolver risco iminente de prisão em flagrante, acione nosso plantão de advogado criminalista 24 horas. A fiscalização em tempo real da legalidade da busca é insubstituível.

Cadeia de Custódia: A Prova pode ser Anulada?

Para que uma prova digital (conversas de WhatsApp, e-mails, arquivos) seja válida, a polícia deve respeitar rigorosamente a cadeia de custódia. Se o celular foi apreendido e não foi lacrado corretamente, ou se houve manipulação dos dados antes da perícia oficial, a prova torna-se não confiável.

Em crimes empresariais ou de tráfico, onde a materialidade depende dessas provas, questionar a integridade do material apreendido é uma estratégia de defesa fundamental durante o acompanhamento de flagrantes e inquérito policiais.

Conclusão

O mandado de busca e apreensão não é o fim da linha, mas o início de uma batalha técnica. Bens apreendidos podem ser restituídos e provas ilícitas podem ser anuladas, desde que a defesa atue com precisão cirúrgica sobre as falhas da operação policial. Se sua casa ou empresa foi alvo de busca, não espere o indiciamento. Procure orientação jurídica especializada imediatamente.